Na missão de levar saúde à população mais carente e esquecida pelo Estado, médicos, enfermeiros e residentes do São Rafael enfrentam, a cada 40 dias, mais de 12 horas diárias de trabalho em uma região inóspita no sertão de Barra - oeste baiano. Esses profissionais atendem cerca de 250 pacientes nas áreas de pediatria e clínica.
No início, a missão assumida por Frei Benjamin, a pedido de Dom Itamar Viana, (na época, Bispo de Barra) era vencer a hanseníase que assolava a região. No combate à lepra, que colocou médicos ligados ao São Rafael e frei cara a cara com as populações mais carentes da Bahia, novas frentes de batalha tiveram de ser abertas.
Na busca da saúde e do homem integral, capaz de elevar o homem à imagem de Deus, as equipes coordenadas pelo Monte Tabor/São Rafael foram ampliadas, ganharam reforço de gente, medicamentos e tecnologia, aumentaram o número de visitas à Barra e, após vencer a hanseníase, focaram a luta no enfrentamento à escabiose, diarréia, hipertensão, desnutrição, desidratação e tantas outras enfermidades provocadas, na maioria das vezes, pela ignorância, miséria e crenças equivocadas.
Uma guerra que ainda está longe do final, mas que, em 14 anos de batalha, conseguiu acumular muito mais vitórias - como ao salvar as vidas de José e Damião - do que derrotas.
Em 2007, o Monte Tabor/Hospital São Rafael deu mais um importante passo para levar assistência médica de qualidade aos moradores do município e arredores. Ao reformar e equipar o Hospital Municipal Ana Mariani, localizado na cidade, transformou visitas quase que bimestrais em atendimento permanente e de qualidade.
Os anos de sucesso, cura e atendimento humanizado da missão Barra estão mexendo com a expectativa da população em relação ao novo hospital. “Agora, com os médicos do São Rafael aqui, a gente tem em quem confiar”, afirma Brisda Alves, 64, moradora de Barra.